quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

um postal da ria formosa

Ruma desta feita o autor para sul ao encontro do Garb Al Andaluz para tão somente constatar que nenhum outro nome para além de Formosa poderia ostentar esta ria majestosa que serpenteia a costa para bandas de Sotavento. Sobretudo nos troços em que a mácula da presença humana não logrou (ainda) deixar seu rastro dissonante.
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terça-feira, 10 de Novembro de 2009

(novo) falso alarme para o regresso

Aproveitava o autor o dia soalheiro para das ameias do castelo melhor desfrutar das vistas sobre a Piscosa que lá em baixo se espraia diante do mar, quando, de súbito, se abateu denso manto de bruma sobre as falésias em redor. Quiçá sugestionado pela aura do local, que é pródigo em lendas de mouras encantadas que por ali ainda vagueiam, instalou-se-lhe nas entranhas forte pressentimento que seria desta que finalmente regressava El-Rei D. Sebastião do seu exílio voluntário em terras de Marrocos, aproveitando para o efeito, com grande sentido económico, que sempre foi, diga-se, apanágio de Suas Majestades lusitanas, a boleia das embarcações que de Sesimbra aí vão pescar. Imaginando já o exclusivo do retrato que iria resgatar, escapava-se-lhe a câmara por entre as mãos trémulas de entusiasmo, ao ponto de ter de a assentar na velha muralha, não fosse a dita resvalar promontório abaixo. Absorto na expectativa de captar a imagem do regresso, permaneceu horas a fio de lente empunhada, sem sequer se aperceber que, entretanto, a névoa se tinha dissipado para dar lugar a um sol radioso sobre o qual El-Rei nunca iria desembarcar.
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domingo, 8 de Novembro de 2009

queda do(s) muro(s)

Na altura em que se assinalam 20 anos sobre a queda do muro de Berlim, o autor recorda que subsistem muitos outros por derrubar. Os da injustiça, da intolerância e da desigualdade, entre outros hediondos, continuam, infelizmente, bem firmes e de pé.
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das origens da piscosa

No princípio, foi o torreão mourisco de atalaia que deu origem à torre de menagem medieval e à alcáçova do castelo. De seguida, veio um tempo novo em que Sesimbra já não cabia nela e estenderam-se as muralhas em torno do promontório. Depois, veio outro tempo ainda em que voltou a não caber dentro de si e desceu do cume para tocar o mar que é o seu prolongamento.
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sábado, 7 de Novembro de 2009

dissertações holandesas

Há coisas que não têm explicação aparente, como esta de andar o autor à deriva por Lisboa em busca de retratos com algum pendor estético e dar de caras com um prédio medonho, hediondo, daqueles que lhe causam arrepios na epiderme ao ponto de o paralisar diante dele. Nessa pausa involuntária, reparou que o topo do dito edifício ostentava, entre outras, a bandeira holandesa, justamente por ali funcionar a representação diplomática dos Países Baixos, o tal que não obstante a designação plural é um reino só. Inexplicavelmente, no exacto momento em que constatou o que acaba de relatar, viu-se o autor acometido de desmedido impulso, sabe-se lá vindo de onde, de envergar aquela sua pele de viajante e à Holanda de imediato rumar em visita de estudo, sem antes, diga-se, deixar escapar um sorriso algo enigmático e constatar que a sanidade que lhe assiste é bem escasso que já teve dias de muito maior abundância.
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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

a ponte é uma passagem

Acreditem que leva o autor a semana inteira sonhando com o momento de a atravessar rumo aos seus destinos dilectos do Sul. A ponte é uma miragem, bem diziam os «jafumega» e lá está outra vez a música dos idos de 80 a intrometer-se por entre as prosas, os retratos e os pensamentos que os unem.
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quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

parecenças de vizinhança

Vista assim à contra luz do rossio que lhe fica contíguo, a Ermida de São Brás em Évora até podia figurar num postal ilustrado do vizinho Magreb, tantas são as semelhanças com os templos do lado de lá.
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quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

efémeras juras de amor eterno

O autor, embora liberal e tolerante no que concerne aos costumes, sempre abominou inscrições vândalas em monumentos, estatuária e demais volumetria que inspire algum carácter de solenidade. Nessa senda, a romântica conspurcação na base da estátua de Garcia de Resende, em Évora, era de todo desnecessária, tanto mais que para além das nefastas consequências inestéticas e do prurido que isso causa a este vosso criado, é muito provável, face à voracidade das paixões dos dias de hoje, que a Priscila já nem sequer namore com o Ricardo, porque, entretanto, lhe apresentaram o Fábio e antes dele o Nilton e o Leandro e que ele, o Ricardo, já nem se lembre dela, da Priscila, porque depois disso conheceu a Neusa e a Vanusa e antes delas a Melissa e a Fabiana, que até eram mais dadas que a púdica Priscila. Por quase sempre ser assim, pede o autor, encarecido, que não se materializem efémeras juras de amor eterno nas pedras solenes que são de todos.
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terça-feira, 3 de Novembro de 2009

uma paleta de cores sobre o céu do Alentejo


Por vezes, lá emergem razões para o autor se considerar um homem de sorte. Como esta, de se assomar à janela ao fim de um dia ameno de outono e dar de caras com estonteante paleta de cores derramada sobre o céu do Alentejo. Na cidade grande, a selva de cimento não deixa ver ocasos assim.
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segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

atracção equestre

À primeira vista, não entendeu o autor a razão de tamanha concentração de mulherio em torno de um certo e determinado equídeo que se encontrava nas imediações da arena de Évora. Curioso, assomou-se este vosso criado da dita aglomeração e, por entre empurrões e cotoveladas das galvanizadas senhoras que não queriam perder pitada do que ali se exibia, lá conseguiu, muito a custo, abrir uma nesga por onde sua lente resgatou a proeminente explicação.
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domingo, 1 de Novembro de 2009

ergueu-se uma Lisboa nova sobre outra que sucumbiu faz hoje 254 anos

Camuflado por entre uma densa mole de turistas, ascendeu o autor ao topo do elevador de Santa Justa para constatar que não fosse a terra ter tremido numa fúria desmedida faz hoje 254 anos e o traçado de Lisboa não seria certamente aquele que no presente se pode deste altaneiro posto contemplar. Castigo divino - e merecido - diziam alguns teólogos à época, por ter o Senhor, sempre Atento, encontrado afrouxamento na lusitana devoção à sua Altíssima Pessoa. O autor, que não viu a Lisboa medieva que lhe antecedeu, mas muito gosta desta a que chamam pombalina, está na disposição, mesmo ateu, de recitar uns quantos terços para que o Dito não se ire e não mande novo castigo que a arrase outra vez.
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sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

a extinção de um mester

Como bem atesta o retrato que hoje se revela, os últimos dos poucos pescadores que no Tejo restavam, desolados com a míngua de pescado, a galopante poluição, mais o raio das quotas que lhes impõem uns tipos lá do centro da Europa que nem nunca viram o mar, largaram tudo de vez para não mais voltar. Assistiu assim o autor, que por irónico acaso do destino ali passava no exacto momento do desepero, à extinção do velho mester tão português.
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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

uma corte no Alentejo

Não é pelo facto de ser republicano dos 7 costados que o autor vai negar que D. Manuel I deu provas de muito bom gosto ao instalar por longas temporadas a corte na cidade de Évora, no imponente palácio que viria a ostentar o seu nome. Pudera, boa pinga dos frades cartuxos ali à mão de enjorcar, daquele tinto encorpado que quase dá para trincar, para não falar nos dotes das prendadas freiras que dos conventos em redor lhe vinham adoçar a boca, e quiçá mais qualquer coisa, e ainda as suculentas viandas de suíno criado à solta nos montados da planície, ora servidas no espeto sobre brasas ora em forma de presuntos, paios, palaios, painhos, paiolas, cacholeiras, linguiças e demais enchidos de fumeiro de azinho. E como se tudo isso fosse pouco para ali assentar arraiais, tinha ainda a serena tranquilidade do Alentejo, que todos os prazeres permite desfrutar.
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segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

a posta restante

Alguns talvez pensem tratar-se daquela parte do peixe menos carnuda e pouco suculenta, mais pródiga em espinha e cartilagem e que, por isso, tende a ficar na travessa por ninguém lhe pegar. Mas não, é antes aqueloutra onde se deposita a correspondência que aguarda o resgaste do respectivo destinatário. É mesmo assim, nos correios como na vida, nem tudo o que parece é.
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domingo, 25 de Outubro de 2009

de Évora para as trincheiras

A estátua alada que em bronze se ergue no rossio de São Brás, lembra a quem ali passa que também de Évora tombaram filhos nas trincheiras de La Lys, o sangrento campo de batalha onde, para além deles, muitos outros milhares de portugueses serviram de carne para os canhões aliados.
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sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

silhueta de Lisboa


Virou-se o autor para poente, àquela hora difusa em que o sol é quase todo uma sombra, para resgatar a silhueta de Lisboa.
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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

uma curiosa constatação

O autor, ao passar junto da tumba onde faz de conta que Camões jaz, foi, de súbito, confrontado com curiosa constatação que o fez, por momentos, duvidar da sua plena sanidade: ora se a defunta figura em pedra esculpida corresponder, de facto, ao fiel retrato do poeta, é caso para sem pejo se dizer que o pé do dito era directamente proporcional ao seu enorme talento.
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terça-feira, 20 de Outubro de 2009

o lamento da fortaleza


Há quem diga que as pedras não falam, mas o autor, que aqui já provou que não ser bem assim, quase jura ter ouvido um lamento profundo soltar-se de dentro da muralha gasta e polida pelo constante embate de incontáveis marés. Queixava-se da míngua de corsários ao largo da baía, outrora infestada dos ditos de olho de vidro e cara de mau, e de há muito não sentir correr-lhe nas lajes a adrenalina por defender a Piscosa dos saques como, valente, fazia nos saudosos tempos de antanho. Pudera, é que nesta Sesimbra dos dias modernos, os piratas estão todos em terra firme e a velha fortaleza de Santiago continua virada de frente para o mar, teimosamente à espera do que já não virá.
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segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Ao redor da «Cerca Velha» # 8 - as Portas de Moura

O autor, que continua seu périplo ao redor da muralha romana, árabe e visigótica de Évora fazendo as vezes do tal guia free-lancer com pseudo pretensões de turismo cultural, alerta o viajante que parta da Torre do Anjo na Porta da Selaria rumo à Alcárcova de Baixo e ao Largo da Misericórdia que não encontrará vestígios visíveis da «cerca velha» até chegar às Portas de Moura, a entrada sul do primitivo burgo, assim designada por daí partir a antiquíssima estrada que levava a esse topónimo. Conta-se que esta porta, cujas torres subsistem de pé, se encontra com parte da estrutura bastante soterrada, existindo vestígios do primitivo arco no subsolo entre os torreões.
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domingo, 18 de Outubro de 2009

uma praia repleta de ninguém

Que me perdoem a ponta de egoísmo, mas por vezes, de quando em onde, gosto de ver a Piscosa assim, com o areal repleto de ninguém.
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Ao redor da «Cerca Velha» # 7 - a Torre do Anjo e a Porta da Selaria

A Torre do Anjo é a que chegou aos nossos dias das duas que guardavam a Porta da Selaria, que para além delas tinha ainda um fosso para sua defesa. A outra torre, a do Caroucho, foi demolida em 1530 por ordem de El-Rei D. João III, depois de perder a função militar com a construção da muralha fernandina.
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sábado, 17 de Outubro de 2009

uma prece paradoxal

Pode parecer paradoxal, mas as velhinhas que por aqui matam o tempo à soleira das portas garantem que a figura graffitada numa esquina do Bairro Alto implora todas as noites que não mais lhe maculem as paredes com gatafunhos horrendos.
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Ao redor da «Cerca Velha» # 6 - a Alcárcova de Cima

O viajante que sem pressas percorra o estreito caminho por entre os prédios centenários da Alcárcova de Cima, a dois passos da Praça Grande que viria a ser de Giraldo, o tal que sem pavor expulsou a moirama do Alentejo, facilmente se depara com um troço bem visível da muralha romana.
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sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

a piscosa bonança da fragata guerreira

A «Corte-Real», que andou pelos agitados mares da Somália a escorraçar piratas em patriótica missão internacional, retempera forças nas águas mansas ao largo de Sesimbra. «Depois da tempestade corsária vem a bonança piscosa», solta, entre duas vigorosas esfregadelas no convés da proa, o marujo que teima em moldar com seu cunho os sábios ditos que do povo emanam.
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quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

voos rasantes sobre a baía

Quem dera a muitos ser gaivota por instantes para fazer voos rasantes sobre as águas mansas da baía de Sesimbra.
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quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Rua do Carmo - revivalismo 80`s

Ainda sobre o rock português dos idos de 80, há tempos aqui recuperado a propósito de uns tais cavalos de corrida que por aí retratei, veio-me à memória a Rua do Carmo e as mulheres bonitas subindo o Chiado...
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terça-feira, 13 de Outubro de 2009

a luz de Lisboa

Subiu o autor ao topo do ascensor que se ergue em Santa Justa, que é miradouro centenário de onde se alcança o rio e a cidade quase toda, para ver se mesmo em dia de tons cinzentos sua lente captava a tal luz que dizem só haver em Lisboa. E lá estava ela, ao longe, reflectida no Tejo que é seu espelho.
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segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

o Tejo e a cidade

Abismado com a sublime paisagem de Lisboa, o cargueiro que passava ao largo entrou pela barra para ver de perto o Tejo e sua cidade dilecta.
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domingo, 11 de Outubro de 2009

o mar de Sesimbra

O autor teve já oportunidade de em seus périplos pelo mundo se deparar com considerável cifra de mares. Contudo, não teve ainda ensejo de encontrar algum que cheirasse como o de sua Sesimbra. Nem melhor, nem pior, mas diferente, como um cheiro quase próprio, familiar, ao ponto de só pelo olfacto o distinguir dos demais.
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sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

sacras considerações de um pagão

Está bom de ver que não é pelo facto de não ter sido tocado pelo dom da fé que o autor se acha impedido de tecer considerações sobre seus sagrados desígnios. Como esta, de peremptoriamente considerar que não há templo mais divino que a igreja do Carmo, a que tem como tecto o celeste firmamento.
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sobre o próprio #2

Para calar todos quantos vêm, ao longo dos anos, de forma reiteradamente caluniosa, afirmando que o autor é sujeito de pretensões pseudo intelectuais, mais dado ao mundo dos livros e pouco amigo da prática desportiva e das coisas da moda.
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quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

do Tejo, para ir mais além

O homem solitário fixa seu olhar no gesta do cardeal navegador. Talvez queira encontrar destinos venturosos, saber pelo próprio como se inrompe do Tejo para ir mais além.
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o corcunda da Torre de Belém

Enervam sobremaneira o autor aqueles arautos da pelintrice que proclamam à boca cheia serem muito melhores os monumentos que se erguem em terras estrangeiras. Porque, dizem, são mais imponentes e têm mais coisas e etc e tal, como a Notre Dame de Paris, por exemplo, que para além de sublime e grandiosa até tem um corcunda que dá lhe certa aura. Pois que se calem de vez esses pacóvios que nossa Torre de Belém, para além de bela e portentosa, tem seu corcunda também.
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quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

ao cimo da Travessa da Espera

Andando o autor a calcorrear becos e vielas do Bairro Alto em busca de fragmentos de vida para aqui plasmar, eis que na Travessa da Espera sua lente captou um par de velhinhas que de tanto esperarem pelo futuro dos dias, alcançaram juntas o cimo da ladeira da vida.
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em Belém, mais da piscosa Sesimbra

Não conseguiu o autor ouvir bem o que a guia relatava ao interessado grupo excursionista que no Mosteiro dos Jerónimos rodeava a tumba de Luís Vaz de Camões. Contudo, a avaliar pela atenção da audiência, em sepulcral silêncio como o local exigia, só podia naquele momento estar ensinando que o vate que faz de conta que ali jaz foi quem primeiro chamou piscosa à nossa Sesimbra.
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pias recomendações

O autor quer-lhe parecer que depois de em Belém ter lido a pia recomendação plasmada na parede da ermida de Nossa Senhora da Conceição, vai passar a dar mais atenção à palavra do Senhor.
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terça-feira, 6 de Outubro de 2009

três centenas de posts lavrados

Três centenas de posts lavrados, um número redondo que hoje se assinala. E não é que parece ser de espanto a expressão da carranca maneirista que habita nas ruínas do Convento do Carmo. Mesmo velha de tudo já ter visto, não queria a dita acreditar no autor quando este, ao passar diante dela, lhe anunciou a cifra atingida. Para conferir scroll abaixo.
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da minha rua vê-se o mar

«Da minha língua vê-se o mar«, escreveu Vergílio Ferreira. E da minha rua idem, acrescenta o autor ao mostrar sua Rua do Norte, na Piscosa Sesimbra.
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segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

um verso que não sai da canção

Foi preciso ir o autor a Grândola, que é vila morena e terra de seu pai, para ver que o verso de Zeca Afonso teima em não sair da canção.
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domingo, 4 de Outubro de 2009

sobre o próprio

O autor até tenta, na medida do possível, ser um tipo modesto e humilde, contudo, quando são os outros a exaltar-lhe as pretensas qualidades, considera não ser de bom tom refutá-las.
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sábado, 3 de Outubro de 2009

exclusividade aqui ao lado


Muito bem perguntarão os leitores se questionarem o porquê de ir o autor para Londres armado ao pingarelho mirar as luxuosas montras de Sloane Street, se tem griffs ainda mais exclusivas aqui ao lado, na Rua do Comércio, em Portimão.
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prognóstico pós-eleitoral #3

Ao deparar-se com pitoresca imagem recolhida no velho casco urbano de Portimão, alvitrou o autor inquietante prognóstico pós-eleitoral: A caminho de São Bento, Sócrates poderá encontrar Portas que de súbito se destranquem.
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sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

chafurdar na lama

Afinal, chafurdar na lama não é apanágio exclusivo das suínas criaturas. Há muito boa a gente a copiar-lhes o gesto.
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prognóstico pós-eleitoral #2

Inspirado pelo retrato extraído numa banca do mercado do Largo 1º de Maio em Évora (que antes da emancipação do proletariado foi de São Francisco), alvitrou o autor inquietante prognóstico pós-eleitoral: mesmo que obtenha resultado positivo nas autárquicas, Manuela vai passar as passas do algarve para se manter sentada no trono de São Caetano à Lapa.
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quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

prognóstico pós-eleitoral # 1

Inspirado pelo insólito que lhe foi dado ver num segundo andar da Alcárcova de Cima, paredes meias com o que resta da antiga muralha romana de Évora, alvitrou o autor inquietante prognóstico pós-eleitoral: Sócrates poderá encontrar no novo parlamento Portas que o conduzam ao abismo...
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quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

soluções para a crise

Que rumem sem delongas a Lisboa os desavindos casais deste Portugal. É que se encontra anunciada numa das entradas da cidade milagrosa solução para suas crises conjugais.
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Cliquem vossas excelências sobre o retrato para melhor enxergar do que se fala

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

feeling toponímico

A avaliar pelo diz que disse (ou não disse), quer ao autor parecer que o lobby laranja adiou sine die a petição que na Freguesia dos Prazeres corria para mudar a toponímia da célebre Travessa do Possolo. Assim, quem quiser ver uma com o nome que antes lhe pretendiam dar, que em Évora suba a Rua da Ladeira e vire à direita mal aviste a Praça Grande que hoje é de Giraldo.
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domingo, 27 de Setembro de 2009

Ao redor da «Cerca Velha» # 5 - a Rua Nova

Constatou o autor em seus périplos alentejanos, que só numa urbe como Évora, nascida na noite dos tempos, pode uma artéria com quinhentos anos chamar-se «Rua Nova». E calando quem diz que as pedras não falam, igualmente se apercebeu que permanece bem visível na base da Torre de Sisebuto o local onde esta se ligava ao trecho da «Cerca Velha», a muralha romana, árabe e visigótica, derrubado em 1536 a quando da abertura da dita rua nova.
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sábado, 26 de Setembro de 2009

arqueologia sindical

Numa decrépita varanda da Praça de Giraldo, jaz abandonado curioso vestígio de arqueologia sindical. Esbatido pelas impiedosas marcas do tempo, quase ninguém repara no símbolo do outrora próspero sindicato dos trabalhadores metalúrgicos de Évora e Beja. Excepcionando tal regra de indiferença, ali detectou o autor paradigmático exemplar de pujante iconografia pós-revolucionária e diante dele sua lente imobilizou. Estão lá representados, com singelas pinceladas de inspiração soviética, a hercúlea força de quem pega no batente do trabalho e a robustez dos meios colectivos de produção. Só não consta a representação do vil metal. Naquele tempo, ao que parece, sonhavam dispensar o capital.
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sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

ovelhas negras num rebanho de eleitores

O autor, que por aqui pouco aflora as questiúnculas do dia-a-dia, de modo algum pretende influenciar o sufrágio que aí vem.
Tão somente gostava que cada um fosse a ovelha negra no manso rebanho dos eleitores. Que cada qual não se deixasse ir às cegas no dito, votar em quem lhe sussurrem ao ouvido. Que vote o povo em quem muito bem entenda, inclusive na Carmelinda ou no Pinto Coelho, pois claro e porque não, conquanto o faça livre e determinado pela sua exclusiva vontade.
Pode parecer insano ou irreal, mas ainda há gente que não sabe que o voto é expressão da liberdade.
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quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

os quatro cantos do mundo




Garb, Piscosa, Alentejo e Olissipo. Quem numa vertigem calcorreie scroll abaixo pelos posts que se vão deixando, verá que é entre estes quatro cantos que quase sempre o autor ciranda em seus périplos mundanos. São, por isso, os quatro cantos do seu mundo.
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heréticas contemplações celestiais

Na célebre Igreja de São Francisco, a salvo das vistas pela penumbra da arcaria de híbrido estilo manuelino-mudejar, captou o autor momento que não fosse seu herege paganismo, bem poderia classificar de mística contemplação celestial.
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quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

os meninos da Graça

Volta-se hoje ao local que ontem se visitou para mostrar os «meninos da Graça». O povo de Évora, que durante séculos calcorreou aquele Largo, nunca soube, por não ter como saber, que as magníficas estátuas de granito sobre as pilastras da Igreja da Graça, representam quatro mitológicos atlantes da autoria de Nicolau de Chantarene, o escultor francês responsável pela porta axial do Mosteiro da Santa Maria de Belém, a que todos chamam dos Jerónimos por terem sido estes os frades que por lá oravam.
Diz a local tradição secular que as robustas figuras representam os «meninos da Graça», os primeiros mártires lançados à ignóbil fogueira da Inquisição que crepitou na Praça de Giraldo no ano (da graça) de 1543. E se a sua imensa sabedoria o diz, é porque assim é.
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terça-feira, 22 de Setembro de 2009

alentejo renascentista

Sempre que desemboca no Largo da Graça e se depara com a igreja da dita, tem o autor a sensação de estar em Roma ou Florença. Aqui, só mesmo a tórrida canícula das tardes de verão lhe traz à lembrança o Alentejo.
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segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

o regresso de Balboa

Não é à toa que a fé no glorioso anda em crescendo por esses campos da bola a fora. Jesus, iluminado, parece ter milagrosa solução para tudo. Até para o renegado Balboa, qual Lázaro da 2ª circular, encontrou ocupação alternativa, como bem atestam as personalizadas sacas de cimento que o ex-merengue irá acartar. Não é que a construção civil esteja de vento em popa, longe disso, mas sempre é melhor que estar parado sem jogar.
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sábado, 19 de Setembro de 2009

as carrancas do chafariz


Ergue-se na Praça Grande, que viria a ser de Giraldo, marmóreo chafariz quinhentista. Daqui corria o precioso líquido trazido pelo Aqueduto da água de Prata, da boca escancarada de suas oito carrancas que, diz a tradição, simbolizam as oito artérias a desembocarem no majestoso terreiro. O autor, como nunca mostra tudo, pois quer que quem o lê também o busque, só revela retratos de duas delas.
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Ao redor da «Cerca Velha» # 4 - a Torre de Sisebuto

Recupera-se a série «ao redor da Cerca Velha» para mostrar a robusta Torre de Sisebuto. Situada no gaveto da Alcárcova de Cima com a Rua Nova, faz parte integrante do antigo Paço dos Melos de Carvalho, já desaparecido. Obras de adaptação do edifício permitiram sondagens arqueológicas que levaram à conclusão de que a base da muralha é de época tardo-romana (séc. III) e que assenta sobre parte de uma habitação romana do séc. I, decorada com frescos. Coisa pouca.
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sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

são mentes sãs em corpos sãos

São muitas mentes sãs em muitos corpos sãos, à custa da aula de hidroginástica na babugem da Praia da Rocha, bem entendido. Não fossem as insuportáveis colunas sonoras a vomitar um barulho do demo, o autor virava a cara para o lado de Ferragudo e até nem se importava com o exercício das hostes.
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um barco de piratas

Eu nunca os vi bem, mas devem ser destes que as fragatas portuguesas vão caçar ao largo da Somália. Seja como for, é manifesto desperdício de combustível ir apanhá-los tão longe se há fartura deles cá deste lado.
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a refundação

Quer parecer ao autor que a maioria dos que se arrastam nesta campanha sonolenta, não leva muito a sério sua missão nas eleições. Se calhar, é porque já têm os pares consertado que se a coisa desta vez bater no fundo, como tudo indica, começa-se do zero e refunda-se a nação numa terra de ninguém, como esta do arquipélago das ilhotas inóspitas, a quatro ou cinco metros do areal do Vau.
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quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

cavalos de corrida

afinal, mesmo depois de caídas as melenas de quem os cantava, ainda andam por aí à solta os cavalos de corrida. Animado por tão duradouro galope, quase me atrevo a dizer que é imortal o "rock português" dos idos de 80.
(photo by - José Luís Espada Feio - all rights reserved)

um harmonioso silêncio

bem fez o casal em virar costas ao burburinho da cidade dos homens para escutar o harmonioso silêncio que emana do grande aquário dos peixes mudos. Pena tem o autor de não poder juntar-se-lhes na assistência.
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terça-feira, 15 de Setembro de 2009

conspirações no claustro do Espinheiro

D. João II, o Príncipe Perfeito, principal seguidor das políticas de expansão marítima iniciadas por seu tio-avô, o Infante D. Henrique, tinha, ao que parece, gradas pretensões de centralismo (seria, grosso modo, aquilo a que hoje se apelida de "asfixia democrática") e, como tal, manuseava os régios cordelinhos para retirar poderes à aristocracia e concentrá-los no seu trono. Ora tais desmandos absolutistas provocaram a ira da nobreza proscrita que amiúde conspirava contra sua real pessoa. Feito o necessário enquadramento histórico para o que a seguir se vai contar, prossegue o relato dizendo que o Príncipe Perfeito era hóspede assíduo do Convento do Espinheiro pela grande devoção que guardava à Senhora do dito. Homem de fé robusta, muitas vezes lá ficava para passar as noites em vigília diante da Senhora, rezando pela sorte do Reino. Numa dessas noites de oração, subiu o sacristão ao terraço a apanhar a fresca quando ouviu vozes sussurrantes no claustro. Surpreendido, pôs-se à escuta e através de uma fresta, num ápice se apercebeu tratar-se de um grupo de ilustres fidalgos tramando terrível conspiração contra El-Rei. Mui diligente, mal rompeu a manhã, correu a contar o sucedido a Sua Majestade. Não obstante os séculos que entretanto passaram, talvez os hóspedes do lá instalado «Convento do Espinheiro Heritage Hotel & SPA», quando hoje passeiem pelo claustro no intervalo de uma sauna ou banho turco nocturno, consigam ouvir os fantasmagóricos lamentos dos nobres denunciados pelo delator sacristão.
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segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

rua da selaria acima

Com as constantes andanças estivais, ora garb abaixo, piscosa acima, que é por lá que se espanta a canícula com uns valentes banhos de mar, há dois meses que não sobe o autor a Rua da Selaria para desembocar no Largo do Marquês de Marialva e ter como prémio a visão que aqui se mostra. Não é que lhe apeteça o frio e as ventanias, mas o Alentejo já chama por si.
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sábado, 12 de Setembro de 2009

troco de dono - como novo

Culpa da falta de confiança dos mercados, da revisão em baixa ou de outra vácua redundância qualquer, vá lá saber-se qual, o certo é que se vendem poucos carros novos em Portugal. Não que assim se queira, mas porque se não pode comprar. E não podendo novo, compra o povo um carro usado, seguindo, no caso, elementar regra de proporção: quanto menos puder, menos novo compra, dando-se por feliz, ainda assim, de poder comprar.
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na peixaria bom gosto

Não há por aqui insípido peixe de aviário, daquele que nunca soube o que é nadar à solta na vastidão dos oceanos. Esta requintada banca só tem imperador, garoupa, gorazes, cherne, robalos da costa, salmonetes da fundura ou frescas pescadinhas de anzol. Mesmo o carapau e a sardinha, quando os há, só em samll size de jaquinzinho ou petinga. Tudo isto, com puro bom gosto na hora de amanhar.
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sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

um fado triste

Triste fado o daqueles que se vêem impedidos de cumprir seu destino. Como o candeeiro órfão de lâmpadas, impedido de romper o breu da noite pela desleixada incúria de quem o largou ao abandono.
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quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

inquietante déjà vu na Ilha do Farol

Vá lá saber-se porquê, mas mesmo a 300 longos quilómetros para sul, há algo de dissonante na paisagem da ilha que de sopetão me devolve o inquietante déjà vu de estar em plena Fonte da Telha ou na kitsch Cova do Vapor.
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quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

empadinhas de piscos da Piscosa

Outra razão para ser Sesimbra a Piscosa, curiosa, embora muito pouco verosímil que Camões a tenha usado como factor determinante para a génese do epíteto, são os piscos e as empadinhas que com eles se confeccionavam, famosa iguaria da gastronomia sesimbrense, muito requisitada nos meandros da corte, e que o vate certamente terá provado nos intervalos das declamações que aí levava a cabo. Com efeito, nessa época, os limites da póvoa eram envolvidos por densa mata de frondoso arvoredo. Tomando partido desse acolhedor ecossistema à beira-mar plantado pela mãe natureza, os piscos, pequenas aves migratórias, ali faziam escala antes de pousarem nas redondezas do Cabo de São Vicente, última etapa da rumagem ao norte de África, mal o frio se fazia sentir no sul da Europa. Os sesimbrenses, aproveitando essa breve pausa, ganharam o hábito de capturar uns quantos piscos acabados de arribar para com eles confeccionar umas apetitosas empadinhas. Ora se no luso reino havia lugar onde abundava o petisco, a iguaria e tudo quanto de bom se pudesse trincar, esse lugar era a régia corte, pelo que lá não faltavam nunca as empadinhas de piscos de Sesimbra, muito apreciadas pelas comensais majestades e demais fidalgos comedores. Contudo, com os constantes abates de arvoredo e consequente delapidação da mata - assim o ditava a então muito activa indústria da construção naval e o crescimento do casario em ampla expansão - os piscos deixaram de poder arribar nas suas copas e abandonaram, progressivamente, a rota que incluía a paragem em Sesimbra. Assim, nos princípios do séc. XVIII, já quase não havia piscos na piscosa e, para grande desconsolo dos gulosos apreciadores, lá se extinguiu a iguaria por falta da indispensável matéria-prima.
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terça-feira, 8 de Setembro de 2009

porque é Sesimbra a Piscosa

Por serem já uns quantos os leitores curiosos que me têm questionado o porquê de nos meus escritos apelidar Sesimbra de Piscosa, desvenda-se hoje a origem do epíteto. É-o, porque assim a imortalizou Camões em «Os Lusíadas», como forma de sublimar a fartura de espécies piscícolas que então abundavam na baía de Sesimbra, facto que lhe granjeava fama de piscosa por todo o reino de aquém e d´além mar. Infelizmente, a abundância deu lugar à míngua e hoje só pela graça da secular tradição se pode chamar Piscosa a Sesimbra.
Pode ler-se no canto III, estrofe LXV: «(...) com estas subjugada foi Palmela e a Piscosa Sesimbra(...)».
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segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

um retrato de Lisboa

Andando o autor, nestes tempos de estio, do Garb para a Piscosa e da Piscosa para o Garb, não se estranhe, pois, que os assuntos à baila trazidos desagúem necessariamente em temas com elas relacionados, já que são, como se sabe, os retratos extraídos o ponto de partida para o que aqui se relata e desvenda. Assim o determina a vincada linha editorial deste espaço, qual prepotente Moura Guedes da blogosfera (com as devidas distâncias de grau e género, saliente-se). Mutatis mutandis, quando este vosso servo veste o macacão de escriba, mais não faz do que cumprir o que lhe dita o patronato, que no caso até é a mesma pessoa, a sua, se bem que com pele distinta, que por aqui veste duas, fruto das complexidades e especificidades das hierarquias laborais reunidas num único sujeito, o autor. Pode quem manda e obedece quem tem de obedecer. Assim será até ao fim dos dias, salvo se a tal Revolução um dia triunfar, coisa que para já se afigura pouco provável, ante a tamanha passividade e dormência que por aí grassa e anestesia as impávidas multidões do proletariado. No entanto, no caso concreto, pouca diferença faz, que os atritos resultantes da eterna luta de classes são aqui pouco mais que nenhuns, dada a singular, e já referida, cumulação de funções.
Enfim, tanta verborreia tão só para dizer que pese embora as constantes deambulações que lhe têm ditado os temas, o autor recorre hoje à famosa arca virtual dos retratos para mostrar uma imagem de Lisboa, que a sua costela olissiponense já andava algo sentida com o seco ostracismo a que tem sido votada.
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domingo, 6 de Setembro de 2009

retrato de duas imagens

O idílico cenário da Ria Formosa não é apenas palco de recreio de reluzentes veleiros, é também, e sobretudo, lugar de árduo trabalho para as gentes que vergadas pelo peso das agruras lhe rebuscam os fundos em busca do parco sustento.
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outro retrato da piscosa

Estando o autor, por capricho do destino, nas costas do casal no exacto instante que se mostra, aproveitou a ocasião para resgatar o momento, que a posse contemplativa até favorecia a composição de mais um retrato da Piscosa.
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sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Prédio do Junot - a série

Depois de uns quantos posts publicados sobre o "Prédio do Junot", meu modesto contributo para desvendar a História e as histórias deste singular imóvel lisboeta, entendeu-se ser hora de sistematizar a matéria e permitir uma visão de conjunto a quem, como eu, lhe encontre o inequívoco interesse.
Assim, foi criada a série «O Prédio do Junot», disponível à distância de um singelo clique no link sito na barra lateral deste vosso espaço. Aí se encontrará compilada a informação que tenho recolhido sobre esta secular construção que muito me diz. Desde Quartel General do Duque de Saldanha, Alfândega de Lisboa, morada de aristocráticos parentes do bravo Mouzinho de Albuquerque ou palco de sangrentos combates nas Guerras Liberais, muito lá se passou em quase 190 anos de existência, inclusive, parte marcante da minha infância.
Para assinalar a efeméride, publica-se um retrato encontrado num empoeirado álbum que do seu terceiro andar resgatei. Pertencia à minha trisavó Ludovina da Conceição Henriques e foi tirado na escadaria do "Prédio do Junot" algures entre o fim do século XIX e princípios de 1900, tendo, seguramente, mais de 100 anos. Pelo que recordo de ouvir contar à minha saudosa avó, a quem recorria para saber quem constava nos retratos antigos que tanto me fascinavam, nele figuram uma vizinha e amiga de sua avó Ludovina e respectivos familiares.
Com as surpreendentes voltas que a vida dá, quem sabe se algum dos leitores não descende de um destes anónimos retratados que, asseguro, jamais terão imaginado em dia algum das suas já distantes vidas, que volvida uma centúria de anos, poderiam, por obra do fascinante progresso que então se iniciava, ser vistos por milhões de pessoas em qualquer parte do mundo.

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

London Tour # não sei quantos - London eye

Depois de razoável interregno, recupera-se o tema londrino, que ainda há muito retrato deste périplo para mostrar. Para além disso, com a quantidade de carraspana A que por lá ciranda, o autor, mais prudente que receoso, não voltará, provavelmente, a pisar solo britânico tão cedo, pelo que o regresso da série «London Tour» é, também, forma de manter frescas as memórias desta incrível cidade que tanto o fascinou.
À primeira vista, e associando o nome à obsessão de segurança que as autoridades da Velha Albion pretendem incutir, quem ouça falar no London eye tenderá a pensar que se trata de uma nóvel engenhoca construída na oficina de Mr. Bond para detectar terroristas islâmicos no perímetro da cidade. Mas não, falamos da magnífica roda panorâmica instalada em South Bank, mesmo à beirinha da velha ponte de Westminster.
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quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

inequívocas marcas de soberania lusa na Ilha do Farol

Nem era preciso hastear o estandarte verde e rubro nesta bonita ilha que emerge das águas diante da costa algarvia para se perceber que se está, inequivocamente, em solo pátrio. Construção desordenada de génese ilegal nascida por obra e graça do luso chico-espertismo, ausência de adequadas infra estruturas de saneamento (para quê , se há para ali tanta água para vazar as poitas?) e, mais característico que tudo, total inércia para alterar a mácula humana em tão bela quanto frágil paisagem natural. Bandeira nacional para quê? Nem Marrocos nem Espanha, ali é Portugal, sem sombra de dúvida.
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terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Olhão da Restauração

Olhão vista da Ria Formosa, cidade que é também da Restauração por justíssimo decreto de D. João VI em reconhecimento da bravura das suas gentes. O olhanense, como bom algarvio, sempre teve sangue fervilhante a latejar na têmpera e assim sendo, não tolerou a afronta da invasão napoleónica de 1807 que, para além de pilhar os sacros tarecos da Matriz, lhe carregava os costados com pesados impostos. Vai daí, muniu-se do arcaico armamento que conseguiu reunir e organizou aguerrida revolta ante o poderoso exército francês.
Este acto corajoso despotelou o surgimento de inúmeros focos de revolta por todo o país, originando o princípio do fim da 1ª invasão francesa. Não contentes com tamanho heroísmo, um punhado de pescadores olhanenses embarcou numa frágil casca de noz e, em dois meses de viagem, atravessou o Atlântico para informar El-Rei, que aí se exilara, de que a revolta contra os franceses estava iniciada. D. João VI, reconhecido, elevou à categoria de vila a então pequena aldeia de pescadores, concedendo-lhe o título de Olhão da Restauração.
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segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

excessos de Aladino

«Venham até nós e se sois capitalistas, ajudai-nos a construir um hotelzinho sobranceiro ao mar, e, do Largo da Marinha à passagem do Macorrilho, a transformar a Estrada Marginal numa Avenida moderna ladeada de construções artísticas onde se abriguem e extasiem, na contemplação do mar imenso, os que não couberem no hotel.» escreveu Joaquim Preto Guerra (Rumina) em «Algumas palavras sobre Sesimbra», Escola Tipográfica das Oficinas de S. José, Lisboa, 1936. Má sina ter o génio da lâmpada caprichado em demasia ao conceder-lhe o desejo...
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sábado, 29 de Agosto de 2009

Matriz de Vila Nova de Portimão

A par da Igreja do Colégio dos Jesuítas (mostrada no post de 13.07.09), a Matriz de Portimão é outro dos raros edifícios com interesse que ainda subsistem na cidade mui descaracterizada pelo desordenamento imposto pelas máculas irreparáveis do betão armado.
Ergue-se o templo consagrado ao orago de Nossa Senhora da Conceição na parte mais elevada do velho burgo, no interior do antigo recinto muralhado que o defendia dos saques corsários. Construção de raiz quatrocentista, muito adulterado por sucessivas reconstruções, sobretudo após o terramoto de 1755, destaca-se pelo curioso contraste entre a fisionomia barroca da fachada e o portal gótico que ostenta.
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quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

retrato da Piscosa # não sei quantos

Resgatado do alto da rua do quebra costas no início do Agosto prestes a findar, só o dissonante guindaste mancha o pôr do sol tardio que se espelha na baía da Piscosa.
Depois, desci ao Garb e trouxe-o comigo na arca virtual dos retratos para dele me lembrar.
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quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

traduções à letra in all garve

for hungry people who eats more than a frugal soup, we also have good plates of the day all week.
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terça-feira, 25 de Agosto de 2009

quartos - rooms - zimmers

Estando aboletado no barlavento algarvio, desloquei-me de novo para o extremo nascente em busca de mais momentos para aqui retratar. Contudo, tendo sido já, em tão curto espaço de tempo, duas as incursões para bandas do sotavento, é quase certo que este ano não mais lá voltarei, que as estradas andam temerosas e desgasta-me sobremaneira a correria do constante vai e vem. Todavia, se mudar de ideias e não tiver a guarida da gente amiga que por lá tem poiso, já sei onde pernoitar.
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apartamento

apartamento T zero na primeira linha de água, junto do passeio fluvial de Portimão. Piso superior com chão flutuante, dotado de vistas panorâmicas e desafogadas sobre a foz do Arade (ainda livre de especulação imobiliária).
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um milagre urbanístico à beira do Arade

No extremo poente do Concelho de Lagoa, junto à foz do Arade, ergue-se uma das mais fascinantes povoações de todo o Garb: Ferragudo.
Aqui, como que por milagre de um qualquer orago ambientalista, a praga do betão armado ainda não logrou atacar o casco urbano.
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distracções fatais - post memoriam

Para que não mais se repitam fatais distracções que em tempos tiveram nefastas consequências, aqui se relembra a figura do Capitão Gancho que, distraído, se finou coçando certas proeminências com seu metálico apetrecho.
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estendal farpado

Se há dias se mostraram os estendais esvoaçantes da Piscosa Cezimbra, hoje se desvenda um outro que embora algarvio, bem podia ser de Mostar ou Beirute.
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quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

audiência numa noite de verão

Par de crianças de mãos dadas e o velhote no seu inseparável veículo de locomoção. Curiosa audiência de um comício, numa noite quente de verão.
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pieguices saudosistas

Não é outro que não este, o motivo para emergir o retrato: Se ontem se mitigaram as saudades da Piscosa, hoje se atenuam as que grassam sobre Évora. Está um piegas, este vosso subalterno...
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peep show balnear

Descobriu o autor, nas suas aventureiras escaladas pelas falésias a poente do Vau, que no promontório de João de Ourém (ou João de Arens, conforme corruptela local) está instalada cabine de peep show para alpinistas voyeurs. Não cessa de o espantar este All Garve que tudo tem...
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reflexos no areal da Rocha

Ao fim do dia de folguedo, para repousar do descanso, vai o autor para a babugem resgatar reflexos de gente no extenso areal da Rocha.
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quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

águas calientes

Mui frias corriam as águas para bandas do barlavento quando a elas aportei no início da passada semana. Tanto ou tão pouco, que imergindo os calcanhares na ditas, imediatamente me achava transportado para experiências balneares de índole poveira ou nazarena.
Um pragmático banhista, no entanto, adivinhando-me o gélido pensamento, logo se apressou a animar-me, recordando que a coisa não passava de mero contratempo, nada que umas valentes mijadelas não atenuassem.
Não sei se disso se do sueste que entretanto virou, o certo é que por ora estão caldosas como há muito não se via.
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estendais da piscosa

Por andar calcorreando as terras do Garb há considerável rol de dias, acho-me, por essa circunstância, fisicamente arredado das vistas da piscosa Sesimbra. Vai daí, mitiga-se a saudade mostrando os pitorescos estendais da roupa que seca com a brisa marinha que sobe a ladeira da Rua do Norte.
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pássaras beatas


Não sei se por crença convicta, se à laia de chacota com o crédulo forasteiro, dizem os da terra que a beata passarada de Portimão não dispensa circunspecta paragem na igreja do Colégio.
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terça-feira, 18 de Agosto de 2009

a Rua da Barca em Vila Nova de Portimão

Antes de se erguer a ponte nova, que hoje é a mais velha de todas quantas cruzam o Arade, era por esta rua que, virando à direita, se desembocava no Largo da Barca. Não havendo outra forma de atravessar o rio, era nele que se apanhava a dita para alcançar a outra margem, rumo a Estômbar, Lagoa e Ferragudo. O arco que sustém a estrada que leva à ponte, é o testemunho restante de uma das portas da antiga vila muralhada.
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a espanhola...

Ao dar de caras com o insólito cartaz plasmado numa montra a escassos quilómetros da fronteira com a Andaluzia, exaltou-se-me a curiosidade em saber que espanhola é esta, mui salerosa certamente, para cuja recepção em solo pátrio se exige pagamento prévio...
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pelas bandas rochosas a poente do Vau


Se por estes dias o autor anda, como já se contou, em périplo livre pelas rotas do Al Garb na busca de assunto para aqui botar, é certo que tem também uma base logística para fruir, nos merecidos intervalos, seus regalos balneares. É, pois, nas enseadas de águas tépidas para as bandas rochosas a poente do Vau que este vosso criado se anda em banhos emergindo.
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segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

SPAs revigorantes

neste meu périplo pelo Al Garb, desta feita no interior do Concelho de Lagoa, deparei-me com um novo conceito de turismo que promete arrasar os SPAs convencionais. Aqui, oferece-se um revigorante e exclusivo banho de imersão numa solução aquosa totalmente elaborada pelos caprichos da natureza. A muito custo, conseguiu-se a ferros arrancar da boca do proprietário que o segredo do sucesso desta aquaterapia reside nos brindes que a passarada lança nos voos rasantes sobre a banheira em design retro. Pura exclusividade.
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de cara lavada

Tendo o autor detectado, aqui e além, umas quantas teias de aranha envolvendo as paredes exteriores desta vossa casa virtual, achou por bem meter mãos à obra na empresa de demovê-las.
Assim, não esteve com meias medidas e caiou-as de alva brancura, com ensina a tradição alentejana, essa que muito estima por ser, também, a sua. O resultado é este que agora se vós dá a ver.
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sábado, 15 de Agosto de 2009

soberbo e arrebatador

Se dúvidas ainda houvesse quanto à maturidade que a arte de graffitar indubitavelmente alcançou em Portugal, atente-se no magnífico mural que a foto atesta. Soberbo e arrebatador momento de expressão artística, para apreciar em Monte Gordo.
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reles predador humano

Que proveito lhes farão a meia dúzia de bivalves capturados em horas de caçada de traseiro erguido? chegarão, sequer, para empurrar a mini ou o copo de três?
O autor, que por estes dias anda de praia em praia em busca de assunto para aqui ilustrar (é a sua seally season), ainda não percebeu que mal lhe farão os raros especímenes ainda viventes para que o reles predador humano insista em exterminá-los de vez.
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